segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Poema de Sete Faces



Quando nasci, um anjo torto / desses que vivem na sombra/disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. / As casas espiam os homens /que correm atrás de mulheres. /A tarde talvez fosse azul,/não houvesse tantos desejos./O bonde passa cheio de pernas:/
pernas brancas pretas amarelas./Para que tanta perna, meu Deus,/pergunta meu coração./Porém meus olhos/não perguntam nada. / O homem atrás do bigode/ é sério, simples e forte./Quase não conversa./Tem poucos, raros amigos /o homem atrás dos óculos e do bigode./Meu Deus, por que me abandonaste / se sabias que eu não era Deus,/se sabias que eu era fraco. / Mundo mundo vasto mundo/ se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não seria uma solução. / Mundo mundo vasto mundo,/ mais vasto é meu coração./ Eu não devia te dizer / mas essa lua / mas esse conhaque / botam a gente comovido como o diabo.

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